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Antigos bancos da praça Nereu Ramos


Silenciosos e frios os bancos de mosaico, mais de uma dezena deles testemunharam aesperança de jovens ao ver passar a garota de seus sonhos, ouviram declarações de amor eo fim de paixões que pareciam eternas. Fotos: JI/arquivo

    Fabricante dos bancos

Ivo Koehntopp, dirigente da empresa Koehntopp Marmoraria na rua Duque de Caxias, 110, conta que os bancos foram fabricados pela Construtora A. Koehntopp no início de 1950,quando a empresa era dirigida por seu tio Affonso Koehntopp, com sede na rua Pastor Fritz Büller.

Um dos registros mais antigos sobre o uso do mosaico data de 3.500 a.C.na região da Mesopotâmia. No antigo Egito havia preciosos trabalhos feitos em sarcófagos de antigas múmias também havia mosaicos que decoravam colunas e paredes de templos. Na sua confecção são utilizados pequenos fragmentos de pedras como mármore e granito entre outros: argamassa, cimento ou concreto. Outra informação curiosa é que o material se encontra no nível 7 na escala Mohlsuma que mede o grau de dureza de determinados materiais (o nível máximo é o 9, onde está o diamante).

Encontramos dois desses bancos no pátio interno da Igreja Matriz São Sebastião no bairro Iririú. Mais conhecidos como bancos de granito eles estiveram na Praça Nereu Ramos entre os anos 50 e 80, as datas não são precisas. Silenciosamente eles testemunharam além de apaixonados romances também acontecimentos históricos como vibrantes comícios, desfiles cívicos em comemoração a data da Independência, Marcha da Família com Deus pela Liberdade e tantas outras manifestações populares.

Os antigos bancos guardam também a lembrança de empresas que no passado muito contribuíram para transformar Joinville na cidade mais industrializada de Santa Catarina.Tamanho seu desenvolvimento passou a ser cognominada "Manchester Catarinense"uma alusão ao grande centro econômico e industrial da Inglaterra.

Sobre a forma de negociação entre a empresa A. Koehntopp, Prefeitura e anunciantes, Ivo não lembra. Pode ter sido uma operação hoje oficializada com a denominação de Parceria Público-Privada.

Usina Metalúrgica Joinville

Fundada em 1893 por Otto Bennack com a denominação de Fundição Otto Bennack a empresa funcionava na casa de seu fundador na rua 7 de Setembro esquina com a rua Itajaí. Em 1928 fabricava tornos,teares e espuladeiras, engenhos de serra, moendas para cana,bombas de todas as qualidades (movidas a motor e a mão) guinchos e ventiladores. Mais tarde no início de 1940 já produzia vagões ferroviários. Considerada uma empresa estratégica foi encampada pelo governo federal em 1942 durante a 2ª Guerra Mundial para produzir material bélico. Sob o comando de um interventor sua denominação foi alterada para "Empresa Metalúrgica Nacional". Anos depois do fim da guerra o governodevolveu a empresa ao seu  proprietário foi então que passou a ser denominada Usina Metalúrgica Joinville.

O que aconteceu após a guerra não é bem claro. Segundo Carlos Jansen (neto) a empresa depois foi devolvida ao avô, que resolveu vende-la. Pretendia se mudar para Ubatuba em São Francisco do Sul onde tinha terrenos. "Se desfez da metalúrgica e tinha paixão por Ubatuba. Estava se mudando para lá mas em uma dessas viagens infartou e faleceu"conta referindo-se ao início dos anos 50. Informações sobre a Usina Metalúrgica Joinville é baseada em pesquisa da jornalista e escritora Maria Cristina Dias.


Fundição de Otto Benack, por volta de 1925. Mais tarde denominada Usina Metalúrgica Joinville

Primeiros caminhões da Frenzel S/A.

Fundada em 1930 por Felipe Alexandre Frenzel com sede em Jaraguá do Sul na travessa entre as ruas Felipe Schmidt e Padre Pedro Franken via que mais tarde recebeu o nome do fundador da empresa. Tinha filiais em várias cidades, em Joinville a agência da transportadora ficava na rua Quinze de Novembro, 706 no centro.

No início a frota contava com apenas dois caminhões que possuíam motor a gasolina. Em 1940 a empresa já somava uma frota de 16 caminhões. Em 14 de agosto de 1955 com a morte do fundador a empresa encerrou atividades.

Bairro Costa e Silva sua história e sua gente

Neto de ex-oficial do exército alemão que chegou a Joinville em 1888, Siegfried Von Tönnemann,conta a história do bairro Costa e Silva. Na propriedade com 200 mil metros quadrados, pertencente à família a mais de um século, passa a adutora do rio Mutucas construída em 1914 que fornecia 22 litros por segundo e abastecia toda Joinville.

Em 1888 chegava à Joinville, procedente da Alemanha, o ex-oficial do exército germânico, Luiz Von Tönnemann, instalando-se na denominada Estrada Guilherme que se estendia desde a atual Dr. João Colin até a Estrada Jacob. (atualmente com três denominações: Guilherme, Almirante Jaceguay e Inambú).

Quem relata a participação da família Tönnemann no desenvolvimento da região é Siegfried Von Tönnemann, neto do oficial alemão, ainda morando no mesmo local, propriedade com cerca de 200.000 m² e com todas as características rurais, à rua Almirante Jaceguay, 2195, onde cria vacas e porcos. Conta Siegfried, que seu pai Paulo Luiz Tönnemann, e sua mãe Marta VasselTönnemann, natural de Jaraguá do Sul, passaram toda a vida na propriedade, onde seu pai e ele (Siegfried), nasceram.

Siegfried ainda lembra o período de namoro com ErnaHille, operária da Malharia Arp, com quem se casou em 1955. O casal teve seis filhas e uma delas, Mônica, casada recentemente, continua morando com Siegfried, viúvo há 10 anos. Falando sobre as atividades que a família desenvolvia na roça, conta que ali, apontando para o morro, existiam mais ou menos 2.500 pés de café, plantações de aipim, batata e araruta para a produção de  falar, conta que hoje planta, praticamente parte da ração utilizada para alimentar 50 porcos e 15 vacas leiteiras.

A família Tönnemann fornecia leite para os moradores do centro da cidade e também lenha para os fogões domésticos. O transporte era feito com carroça que percorria toda a Estrada Guilherme e atendia fregueses até na rua do Príncipe, fazendo seu ponto final nas proximidades da catedral, conta Siegfried. Naquela época, existiam somente 14 casas na Estrada Guilherme, a partir da rua Marquês de Olinda, relata.

Adutora de Mutucas

Passa pela propriedade dos Tönnemann a adutora do rio Mutucas construída em 1914. A informação foi confirmada pelo engenheiro da Casan, Flávio Piazera, acrescentando que até 1951 (ano do centenário), a adutora fornecia 22 litros por segundo e abastecia toda Joinville. Para a construção dos prédios do conjunto habitacional Juscelino Kubstchek, a parte da adutora que passa na propriedade foi desativada. Hoje sua contribuição no fornecimento de água está limitado à região de Anaburgo, na Vila Nova e poucas ligações no Costa e Silva.


Siegfried Von Tönnemann - Entrevista publicada no Jornal do Costa e Silva - Edição de maio/2000


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